Crítica | Martyrs (2016) é bem mais ou menos

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Fala meu povo, voltei!

Fui a uma concorrida sessão de Martyrs na Cinépolis, que tinham incríveis 7 pessoas na sala, claro, quase não vi o filme por conta das filas pra ver Capitão América: Guerra Civil. O cinema de terror ainda é muito fraco no Brasil e não move multidões, com raras exceções como Sexto Sentido, a franquia de Alien e a de Exorcista, mas mesmo assim, eles são impopulares. Democraticamente recebem suas sessões em alguns cinemas e permanecem por pouco tempo em exibição, que seja justo.

Mas não estou aqui pra falar do mercado de cinema brasileiro e sim de Martyrs, o remake norte americano do filme homônimo francês de 2008. O enredo não decepcionou, ele foi bem fiel no início e colaborou até a evolução das nossas personagens, mas o remake tem mais um tom de Jumpscare, isso é, filmes de tensão que dão um Boo (susto), do nada, que são bem previsíveis no final, afinal nos acostumamos com isso.  Além é claro de sintetizar toda a maravilhosa experiência de Martyrs de 2008, em um filme fraco sobre vingança. 

Diferente da versão de 2008 e das minhas expectativas. Eu esperava muito mais terror e pressão psicológica, testando o limite do espectador e se preocupando em não tornar a experiência tragicômica. O filme é comum, nada demais, exceto pelo sangue e uma ou outra violência gratuita que elevaram a censura do filme ao tabu da indicação para maiores de 18 anos, porém o filme não tem nada de espetacular nesse quesito comparado ao seu predecessor e tranquilamente seria exibido na TV aberta em qualquer programa noturno.

Martyrs (2016) Goetz Critica BecoNerd
Meu Deus, que filme é esse?

Martyrs não é mal feito, muito pelo contrário, com orçamento baixíssimo e tempo de gravação estipulado em 20 dias. O filme não ficou com aquela cara de filme independente, mas sim, de um filme feito apenas para a TV. O que eu não esperava da Blumhouse, que adora fazer experiências, mas é a produtora por trás de sucessos como Invocação do Mal e The Purge. Martyrs figura como amador perto das outras produções. Isso é um grande problema ao meu ver, tendo em vista que Martyrs é um conteúdo pronto, que deveria ser respeitado. Reduzir esse conteúdo como forma de poupar o telespectador transformou Martyrs (2016) dos irmãos Goetz em uma experiência revoltante.

E não venham falar que cada filme é um filme, se é remake tem que respeitar. Ou é apresentada uma proposta nova, totalmente diferente da original e justificado o porque disso, ou não venda um filme pela fama do seu predecessor, porque a expectativa sempre será de ver algo melhor ou no mínimo semelhante.

Por que afinal, qual a lógica em reduzir a tortura do filme do ponto de vista psicológico e corporal dentro das cenas, e testar os limites do telespectador do lado de fora, se o filme vai receber a mesma censura? Já que é pra ter classificação indicativa de 18, vamos tocar o terror nessa joça! Como já repeti inúmeras vezes aqui, não classifico, pretendo parar com isso, mas se classificasse de 1 a 5, Martyrs receberia 2 ou no máximo 2,5 por ser um filme que entretém, mas não agradará os mais exigentes desse gênero no cinema, por não trazer nada de novo, pela falta de culhões e pelo desrespeito com sua versão original de 2008.