Crítica | A Bruxa, sai daqui seu Bode véio!

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Fala ae seus bodes! Hoje vamos falar do incrível A Bruxa (2015) – ou The Witch ou The VVitch -, dirigido pelo estreante Robert Eggers que se deu infinitamente bem com o gênero, manolos o filme é do caralho. Vai lá assistir agora, deixa pra ler isso aqui depois.

O plot em si é simples, falamos de uma Nova Inglaterra do século XVII, no ano de 1630, isto é, a título de desambiguação a Nova Inglaterra faz parte de uma das colônias Britânicas nos EUA, logo no início do seu período de Colonização, onde muitas das pessoas que vieram para cá já eram os protestantes e trouxeram consigo traços da inquisição que estava já perto do seu fim, sem supervisão e tomados pelo medo do desconhecido a prática voltou a crescer. O filme nem se trata disso, mas é bom se situar. Enfim, nessa Nova Inglaterra vive o casal William (Ralph Ineson) e Katherine (Kate Dickie) com seus 5 filhos, logo no começo do filme eles são expulsos da comunidade/colônia por práticas religiosas diferentes das permitidas e passam a morar nos extremos da colônia próximos ao bosque…

A Bruxa - The Witch - 2015 - Crítica - BecoNerd (2)

De forma simples, não vi nenhuma prática religiosa diferente, era uma família cristã comum que foi lançada a sorte. O filme é cheio de agravantes de tensão, primeiro temos 5 crianças, pqp cinco? CINCO? A menina mais velha, Thomasin (Anya Taylor-Joy), o menino mais velho, Caleb (Harvey Scrimshaw), os gêmeos Tomas (Lucas Dawson) e Mercy (Ellie Grainger) e o Bebê, Samuel. Fora isso, estamos em um lugar inóspito, desprotegido e afastado. A fórmula do desastre.

Não sei vocês, mas filme de terror com crianças é infinitamente pior para mim. Primeiro que a galera tem que tomar todo aquele cuidado para não traumatizar as crianças e depois, são crianças encarando coisas que talvez nem entendam ainda, nem dentro nem fora de cena, imagino o set com um psicólogo constantemente observando as gravações. As crianças são o ponto central do filme e por onde o ocultismo faz a festa. A figura do Pai representa a incapacidade de fazer algo e a mãe é mórbida e impotente, apesar de amar os filhos ela não tem chance. Vemos uma vertente diferente dessa em Invocação do Mal, onde o amor da mãe é a fonte de poder para superar o oculto. Katherine constrói a sua ruína quando passa a amar mais um filho do que outro. Vamos falar mais disso.

O jargão do filme  é “O mal assume muitas fomas” e presenciamos ele aparecendo no filme em seus personagens dessa forma, a mãe como já dissemos acima, o pai por omitir a culpa, o Caleb pelos desejos da carne; se prestar ao mal abre as portas para o mal maior, é como se os pequenos pecados diários dessem brecha para o mal maior presente no filme, todos são corrompidos e expostos a esse mal quando mais estão suscetíveis a ele. No filme isso funciona extremamente bem e foi uma execução perfeita do diretor. Tirando a simplicidade do plot, a subjetividade do mal e a forma como ele é explorado no filme dão um toque sensacional a obra.

A Bruxa - The Witch - 2015 - Crítica - BecoNerd (3)

Não só nos atos dos personagens, mas o filme ainda tem o cuidado de explorar o mal em suas formas na figura da bruxa, do coelho, e do bode, que recebe o nome de Black Phillip pelos gêmeos e desempenha um papel fundamental no filme de trazer o ocultismo pra perto da família, ser a raiz do mal.

Agora me respondam o que é um filme de terror sem uma excelente trilha sonora? Nesse quesito A Bruxa deita e rola, se diverte e canta ao redor da fogueira, desde a primeira cena do filme a trilha sonora está presente para criar o clima de TT (Tensão Total) apesar de não se tratar de um Jumpscare, onde devemos esperar o susto, a trilha ataca diretamente seu coração e te põe nos trilhos do filme, a ambientação é perfeita, sem falar nas incríveis cut-scenes em tela preta que variam em sua duração (e a trilha sonora, sempre lá), O filme funciona como o teatro, em atos. Acontece algo tenso e pá (CUT), Tenso (CUT) Brando, Tenso (CUT). O risco disso é engasgar o filme, deixar ele cansativo e batido, mas ele flui bem, porque, definitivamente, só deglutimos o que aconteceu depois que o filme retorna do corte.

A Bruxa é isso, uma excelente direção com uma ambientação impecável, que pode agradar sim a todos os gostos, não espere sustos, mas sim uma sessão onde você sempre vai estar tenso e abismado com os acontecimentos do filme, claro, se você tiver uma veia religiosa um pouco mais latente, vai sentir muito mais os efeitos do filme, talvez nem veja tudo. Se eu classificasse, o que não faço (risos) A Bruxa teria 5 em 5 ou 4,5 em 5. Porque realmente é bom, diferente do trágico Martyrs (2016).

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Adendo: Gostaria de parabenizar as performances da linda Anya Taylor-Joy, a Thomasin e a de Harvey Scrimshaw, o Caleb, destaque maior ainda para o Harvey que fez A Cena do filme, na minha humilde opinião. E saliento, que em seus últimos 5 minutos, talvez 3, o filme tenha se excedido um pouco, por isso, talvez um 4,5. Mas que não descaracteriza a obra como um todo.