Crítica | Demolidor, Segunda Temporada

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Eae seus viciados em maratona de Séries, tranquilo? Pois bem, vamos falar um pouquinho do que foi essa segunda temporada de Demolidor. Se você ainda não viu a temporada toda, cuidado. Pode ter alguns spoilers aqui.

Primeiramente, vamos nos situar. Wilson Fisk, melhor vilão ever, está preso. Matt Murdock vive uma vida dupla, a noite é o Demônio da Cozinha do Inferno e de dia advogado na firma Nelson & Murdock, ao lado do seu melhor amigo, Foggy Nelson, que sabe do seu segredo e da bela assistente jurídica Karen Page, que é a única pessoa que realmente trabalha na série, na minha humilde opinião. Basicamente é isso.

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A segunda temporada de Demolidor foi a primeira vez que presenciei a divisão de arcos dos quadrinhos em uma mesma temporada e em outra mídia, uma vez que até o quarto episódio temos a maior parte do arco do Justiceiro e depois a junção com a da Elektra a partir do quinto e depois funcionado separado. Não achei tão interessante fazerem isso, porque tanto o Justiceiro como a Elektra são personagens importantes do universo Marvel que já tem fãs consolidados e que mereciam mais atenção, essa introdução na série Demolidor pode afetar o desempenho deles nas próprias séries, que inclusive só o Justiceiro recebeu confirmação até agora.

Foi ruim? Não, mas muito mais interessante que a participação do próprio Demolidor. A verdade é que cada um dos personagens acredita em coisas diferentes o que impossibilita uma unidade, um consenso, então ajudarem-se é uma quebra dessa barreira, o que torna emocionante a aparição.

A temporada começa frenética com o assassinato da gangue dos irlandeses e a cruzada do Justiceiro, não identifiquei nenhum problema no primeiro arco ambos os personagens funcionam muito bem e a produção manteve o ritmo da primeira temporada de ter cena de luta em todos os episódios, então nosso protagonista e o Justiceiro trocam socos mais de uma vez durante a temporada o que é sensacional, porque como disse acima cada um representa um ideal. Matt representa a redenção, a segunda chance e ele atua dessa forma, nunca mata porque acredita que as pessoas podem mudar e o Justiceiro não, ele só conhece a guerra e a morte é a única solução permanente.

Desde os primeiros episódios já é nítido o fechamento da Nelson & Murdock, uma vez que a vida dupla do Matt não permite que ele se dedique com mais afinco as atividades de advogado que ele deve realizar, essa falta é mais do que substituída por Foggy, que dá um duro danado para livrar a cara do Justiceiro, mas nem sempre as coisas funcionam como são planejadas. Foggy ao lado de Karen representam o alívio cômico da série e nada mais impagável do que a Karen rindo na cena que o Foggy dá uma lição de direito na promotora Reyes.

Voltando aos ideais que cada personagem representa. O Justiceiro é o típico Man of War, cara da guerra, ele está preso nesse estado psicológico revivendo a guerra, é o cara que mesmo depois de sair do confronto não consegue deixar o confronto para trás, não é por menos, Frank Castle (O Justiceiro) teve a família assassinada na sua frente. Para ele o que o Demolidor faz não funciona. Que ele é covarde, uma meia-medida, uma solução paliativa, alguém que não termina o que começa e que por não matar se acha melhor do que ele. Porém, não é só vingança que Castle busca, ele quer mais, ele quer paz para Hell’s Kitchen (Cozinha do Inferno).

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A saga do Demolidor na primeira temporada gerou problemas para Nova Iorque com uma onda de vigilantes aparecendo, os Adoradores do Diabo. Tendo isso como problema, o demolidor conta com a ajuda do oficial Brett para restabelecer a força policial e a confiança dos nova-iorquinos na polícia e nas leis como forma de justiça. Em dado momento tivemos a única menção a Jessica Jones, que ninguém deu muita importância.

No final do quarto episódio temos a aparição da Elektra que é totalmente pirada, segue-se uma série de flashbacks da relação dela com o Murdock, afinal eles agem como se fossem conhecidos, o que é novo para nós, porém aqui começam os problemas, achei o arco da Elektra bem meia-boca, extremamente forçado, sendo salvo apenas pelas continuações e conclusões do arco do Justiceiro. O Arco da Elektra apresenta um vilão oculto que culmina na organização A Mão, que tem como membro Nobu Yoshioma, o ninja que lutou com o Demolidor na primeira temporada. E do outro lado a organização O Casto, da qual Stick é o fundador e para qual ele treinou Murdock e Elektra.

Essa treta atrás de um vilão maior ou uma destruição em massa é infinitamente maior do que a cruzada pessoal de Frank Castle, mas a grandiosidade não apresentou o risco real da coisa e em momento nenhum consegui notar uma ameaça importante. Para mim, aqui a série caiu em um conto de fadas e perdeu a chance de ter sido muito melhor. Porque a partir desse momento a série ganha um novo ritmo, mais lento, sendo que estava alucinante. E só melhora quando temos Wilson Fisk de volta. Durante toda a temporada temos uma sombra do Fisk sobre tudo, para mostrar que mesmo preso ele ainda é o melhor jogador em campo e que vai fazer o possível para retomar o controle de Hell’s Kitchen, sem dúvida mais uma vez Wilson Fisk mostra que veio para ficar abrindo infinitos precedentes e possibilidades para as próximas temporadas, como uma adaptação do arco A Queda de Murdock, daqui umas duas temporadas, talvez. Acho um desperdício fazer isso na próxima. Fisk não só volta como faz parte do Arco do Justiceiro.

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“Quando eu sair vai ser pra vencer uma guerra e não pra lutar uma”.

Pra dar uma noção melhor no ritmo da série a chama do Demolidor, basicamente, se apaga no final do quarto episódio e só retorno depois da metade do nono. Ainda faltam algumas coisas para falar dessa temporada como a tensão sexual entre Matt e Karen em grande parte e como o Matt é sem noção, isso definitivamente não valeu a pena. Porém, a Karen é uma das melhores personagens da série e a decisiva, porque se não fosse ela trabalhando atrás de novas pistas a série não teria saído do lugar. Temos duas cenas de luta muito boas nessa temporada, a primeira é do Demolidor, no que conhecemos como cena do corredor, que vira cena da escada aonde ele bate na gangue de motoqueiros, foi boa para o padrão da série, mas superada pela cena do Justiceiro na cadeia, definitivamente a melhor cena de porrada da temporada.

demolidor-critica-2a-temporada-beconerdFora das lutas, o clímax veio em dois momentos quando Frank Castle conta sua motivação e quando Elektra transforma Matt Murdock em um ladrão, mostrando que suas habilidades poderiam ter outras finalidades, e menção honrosa, quando o Murdock perde a audição na primeira vez, agonia total. E a shit veio com as constantes cenas de luta no arco da Elektra que sempre eram a mesma coisa e em alguns momentos o Demolidor se mostrou mestre na técnica do corpo leve de O tigre e o dragão, dando umas voadas para cá e acolá. E claro, temos a presença do Melvin fazendo um traje e um bastão novo para o Demolidor. o/ E não posso esquecer da nossa Claire, que faz o papel de consciência do Matt em algumas de suas poucas aparições.

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Como deu para ver, me empolguei bastante, no geral eu gostei da temporada, de uma forma bem geral, o melhor da temporada sem dúvida foi o Frank Castle, desmentindo os produtores que afirmaram que não iriam tornar o Demolidor um coadjuvante na sua própria série, isso não aconteceu, ele foi apagado pelo Justiceiro e pela Elektra sim, até o Foggy e a Karen ofuscaram-no. Se pá até a Josie, exagero, tá saquei. Mas isso também funcionou, porque temos coadjuvantes muito melhores para as próximas temporadas e um Demolidor com muito a evoluir como herói/vigilante.

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Eu sou o Demolidor