Crítica | LOVE, Ser ou não ser? Eis a questão.

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Fala galera! Vim correndo aqui hoje para falar da nova série da Netflix, LOVE. Estrelada por Gillian Jacobs (Girls e Community), no papel de Mickey Dobbs e Paul Rust, que não só é o criador da série como escreveu três roteiros e interpreta um dos protagonistas, Gus Cruikshank. A série é mais uma produção original da Netflix e estreou dia 19 de fevereiro, um dia após as comemorações do dia de São Valentim. LOVE conta a história de dois desajustados com o amor, Mickey e Gus, que ocasionalmente se conhecem, se curtem e deixam rolar, não necessariamente eles se pegam e rola toda aquela embromação sobre os acasos do amor, mas sim uma jornada para o autoconhecimento e aceitação. Pelo menos é o que pareceu.

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A proposta de LOVE, é falar de amor em suas múltiplas formas, tanto que não apenas nossos protagonistas passam inúmeras cenas dialogando sobre o que é e o que não é amor com terceiros, mas também as cenas claramente querem dizer isso ou ilustrar o amor de alguma forma, afinal estamos aprendendo com os erros de Mickey e Gus desde o primeiro episódio.

Não consegui notar se isso funcionou, fiz a maratona e vi todos os 10 episódios de uma vez e as relações amorosas foram muito mais claras nos coadjuvantes do que nos protagonistas, claro que desde o primeiro episódio eu queria ver Gus e Mickey juntos, mas em determinado momento – não consigo dar exatidão, porque os episódios se misturaram na minha cabeça como se fossem um grande filme – eles acabam tornando-se mesquinhos e tomam atitudes controversas em relação ao que sabemos dos sentimentos que mantém um pelo outro. Isso tem consequências terríveis já que você passa a odiar os personagens principais por simplesmente não sustentarem a ideia de LOVE.

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Em um primeiro momento, isso pode parecer repulsivo e estranho, mas pensando bem e analisando agora, depois do fato e dos ânimos se acalmarem após a overdose de episódios, consigo notar que, mesmo controversa, a ideia de LOVE em si, representa claramente o sentimento conflituoso que é o amor. E que, claro, vou ter que usar uma frase clichê aqui, para encontrar-se é necessário perder-se. E o amor é a representação perfeita de como não sabemos o que estamos procurando até encontrarmos.

Outro ponto interessante de LOVE é a faixa etária dos nossos personagens, Gus tem 30 anos e Mickey 31, então não estamos lidando com amores juvenis, nem com jovens adultos e muito menos com a solidão característica que é explorada nas pessoas acima dos 35 anos. É uma série que lida com a meia idade em seu ápice. Socialmente falando, os pessoas nessa faixa etária têm poucos bens, são infelizes e estão cansados de se frustar com o amor. A série constrói essa ideia sem usar recursos platônicos e mostra que no fundo nunca nos cansamos de procurar algo.

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Não costumo classificar séries, fazia isso antigamente, agora com essa onda de Netflix e assista tudo de uma vez, passo a defini-las como experiências, SENSE 8 foi uma experiência magnífica, NARCOS ficou mais pra um Bléh, já LOVE foi extremamente conflituosa em si, mas verdadeira e pura como se pudéssemos moldá-la na nossa cabeça já que me deixou com aquela sensação de “será que entendi direito a mensagem”? Ou “eu posso entender isso de qualquer forma”! Já que no quesito empatia a compreensão da série vai depender exclusivamente das suas próprias experiências em relação ao amor, o que você já viveu e sofreu por causa e por ele. E só assim, depois de assistir vai rir ou chorar ao final.

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PS. Esqueci de alertar aos meus caros amigos, cuidado com a família por perto nas cenas de sexo, são bem extravagantes.

Antes de ir embora, você pode querer dar um confere no trailer oficial de LOVE: