Resenha | Piteco Ingá, Shiko ❤

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Fala meus amigos, aqui estou mais um dia… Vish

Hoje vamos falar dessas coisas maravilhosas com gosto de infância que são as Graphics MSP. Esse material que vem surpreendendo a cada edição, superando-se. Hoje, temos Piteco Ingá, do Shiko em pauta, que destrói e da um show de referências. 

Pra começo de conversa, Shiko não brinca em serviço, ele pegou o personagem do Mauricio de Sousa e inseriu ele em uma êxodo pré-histórico, onde um, de três povos, tem que migrar do seu local por causa da seca de um rio. Na própria Graphic, nos extras, que toda edição possui, o editor informa que a história já aconteceu em uma edição de 1999, que o Shiko não conhecia.

Piteco Inga Shiko - graphic msp resenha (2)

Esse é o primeiro ponto interessante de Piteco Ingá, porque a diferenciação dos povos é latente e profunda, cada um tem uma característica ou habilidade específica. Os Homens-tigres, são caçadores; os Ur, moram em arvores e se alimentam de peixes e aves e os Lem, que são agricultores, habitam em cavernas, e também, o povo do nosso protagonista . Isso por si só, já representa uma boa parte da evolução da humanidade.

E como se não fosse suficiente, o Shiko ainda aproveita a históris dos primórdios do Brasil ao retratar a misteriosa Pedra do Ingá, na Paraíba, um dos mais antigos monumentos arqueológicos brasileiros, medindo cerca de 50 metros de comprimento por 3 metros de altura e repleto de entalhes rupestres, que sugerem a representação de animais, frutas, humanos e constelações.

Então, temos Piteco, caçador brucutu que não dá muita bola para as palavras da sacerdotisa Thuga, quando conta que o povo dos Lem devem migrar para além das planícies, onde a terra é abundante em água, já que o rio que fazia dos Lem um povo agricultor secou. Thuga também é o centro da relação do Piteco com a história, já que ela aborda o amor de uma forma mais primitiva e selvagem, mas infinitamente sublime.

Piteco Inga Shiko - graphic msp resenha (1)

A verdade, é que é evidente que o Piteco ama a Thuga, mas não sabe. Ao contrário dos outros personagens, que fazem piada disso e essa é a grande magia dessa Graphic MSP, porque Piteco só sente na pele os sentimentos por Thuga, após ela ser raptada pelos homens Tigres, isso não é spoiler, é o pontapé inicial da nossa aventura.

Piteco Inga Shiko - graphic msp resenha (5)Depois de ler Lavagem, é visível que mesmo o Shiko, morando na Europa, não perdeu as raízes e não se cansa de referenciá-las. No meio da aventura de Piteco encontramos deuses místicos que remetem ao folclore brasileiro como M-Buantan, que representa o Boitatá, o Curupa-paco (ao lado), que remete ao Curupira ou a Caipora e o Anhanguera, ser que assumia diversas formas para proteger os animais da floresta.

Olha o tanto que já falei e nem cheguei na arte ainda. Piteco é lindo de se ver – acompanhem pelas imagens no post -, o desenho é composto em aquarela, arte que o Shiko domina, e que dá sim, um grande diferencial ao material, fica muito mais bonito.

Piteco Inga Shiko - graphic msp resenha (4)Além de todo esse capricho com os detalhes, Shiko investiu em construir uma história pelo viés feminino, criando não só a Thuga como fortíssimo personagem, mas também a Ogra (ao lado), exímia guerreira. Em alguma entrevista que vi por aí, perdoem-me, pela falta da fonte, Shiko defende que a criação da Thuga, não deveria representar a imagem da moça que só quer saber de casar, apresentada nos Gibis da Mônica. Shiko! Achievement Unlocked! Ah! E é claro, o fato dela possuir traços mais “cheinhos” vai de encontro aos estereótipos de beleza, logo tapa na cara da sociedade.

Piteco Ingá, ainda conta com uma poderosa analogia ao tema da espera, a palavra é empregada em diversas passagens do quadrinho e algumas delas nos fazem refletir sobre o que realmente pode esperar, o que deve acontecer no seu próprio tempo, principalmente, porque falamos de um povo agricultor que tem como lema: Plantar, aguardar e colher. Mas como uma poderosa aplicação desse lema a própria vida e as relações humanas.

Até mais.