Resenha | Parasyte (Kiseiju); JBC

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Fala pessoal! Hoje vamos com esse mangá SEN-SA-CI-O-NAL que me ganhou numa facilidade que se eu te contar, você nem acredita.

Parasyte (Kiseiju), de Hitoshi Iwaaki e conta basicamente a história de criaturas que invadiram nosso planeta, com o preceito de proteger a fauna e a flora da ação desenfreada da humanidade. Sim, o mangá tem esse pano de fundo de questões ambientais e vai muito mais além. As tais “coisas” são seres parasitas que tem como objetivo hospedarem-se em alguns seres humanos e a partir daí devorarem outros humanos como uma forma de “reduzir a população” mundial.

Parasyte-kiseiju-jbc-manga-resenha (3)A história segue os passos de Shinichi, um estudante colegial que foi escolhido, digamos assim, para ter seu corpo tomado, porém as coisas não acontecem como deveriam e seu parasita não consegue infectá-lo do modo correto, ficando assim destinado a coexistir com seu hospedeiro. E aqui, é onde o mangá vai além, porque ele trata muito da relação do Shinichi com o Miggy, nome dado ao parasita. O Miggy tem uma natureza curiosa e está sempre divagando sobre as relações humanas, tanto pela forma como elas deveriam ser, quanto pela parte que ele não compreende. Esses, sem dúvidas, são os melhores momentos do mangá. Porque o Miggy , na prática, é um ser totalmente lógico, como qualquer outro animal irracional, que preza pela sua sobrevivência acima de tudo, porém ele denota, mais de uma vez, uma preocupação com seu hospedeiro e com o seu habitat. Muitas questões que ele levanta tem o seu fundamento, como por exemplo a lógica de destruir o próprio planeta. Em uma análise mais profunda o Miggy é um parasita no corpo do Shinichi, assim como nós, de certa forma, somos um parasita no planeta Terra. 

Não é de se estranhar que o Parasyte tenha esse pano de fundo. A publicação data do final da década de 90, quando estava na moda pensar no meio ambiente e eclodiam em diversas partes do mundo conferências globais sobre as novas condições climáticas, que dariam origem mais tarde ao que conhecemos Protocolo de Quioto. O mangá explora essas discussões de forma exímia, e o mais bonito, é encontrar estudantes universitários indagando o mangaká, Hitoshi Iwaaki no decorrer do mangá na sessão de cartas, neste caso, nos extras da nossa edição. 

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Aquém dessa parte, o contraponto do mangá esta na presença de outros parasitas, que acabam enxergando essa relação do Miggy com o Shinichi, como algo imperfeito e ameaçador, que deve ser destruído, o que acaba gerando conflitos entre os parasitas, que são sempre rodeados de sangue e de membros voando pra tudo quanto é lado. Essas passagens me lembraram demais dos Vetores da Lucy de Elfen Lied.

Parasyte-kiseiju-jbc-manga-resenha (2)O traço é digno de atenção em Parasyte, em sua maior parte, o traço é bem limpo, com pouca poluição visual, sombreamento prudente e com boas expressões, muito característico dos mangás antigos como Yu Yu Hakusho. O traço ressalta as coisas bizarras que os parasitas são capazes de fazer com o corpo dos hospedeiros, porém, em algumas passagens o desenho ganha o sombreamento e fica infinitamente obscuro, dando um tom sério ao mangá e uma leve sensação de perigo e perplexidade, que deixa a experiência de leitura fantástica.  

O mangá data de 1988 e só teve seu anime lançado em outubro de 2014, sob o nome Parasyte: The Maxim, a animação fez tanto sucesso que o mangá também ganhou um live-action dividido em duas partes, que foi lançado em novembro de 2014 e abril de 2015 respectivamente, com a direção de Takashi Yamizaki, mesmo diretor do filme Eien no Zero (The Eternal Zero/Zero Eterno), que também teve o mangá lançado aqui no Brasil e que em breve vai ganhar resenha no blog. o/

Parasyte, de Hitoshi Iwaaki é publicado pela Editora JBC, já foi concluído e possui um total de 10 volumes. Publicado no formato de 13,5 x 20,5 cm, papel off-set, com cerca de 200 páginas por volume, pelo preço de R$ 16,90, periodicidade mensal, distribuição setorizada. Parasyte é indicado para maiores de 16 anos.

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