Resconto | Charlotte Sometimes, Fábio Fernandes

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E ae galera! Tudo nos conformes?

No Resconto de hoje, trataremos dessa obra espetacular do Fábio Fernandes, Charlotte Sometimes. Mais um dos contos que fazem parte da coletânea dos Contos do Dragão, organizado pela Editora Draco.

Em Charlotte Sometimes invadimos o universo onírico de Júlio, que está desnorteado e não sabe explicar o motivo de estar sonhando, não sabe aonde está e, muito menos, quem são as pessoas ao seu redor. Esse é o primeiro lampejo que temos do universo onírico e sua natureza distorcida e atemporal, que o autor nos apresenta. Julio navega por um mar de rostos borrados até descobrir que está em um bar que já fechou tem 20 anos. E exatamente nesse ponto o conto ganha outro ritmo e você começa a absorver o sonho de Julio até sentir-se parte dele.

O momento em que, ainda sonhando, ele percebe que sonha.

Julio nos surpreende com sua habilidade de poder sair de um sonho no momento que quiser, enfrentando o seu clímax. Isso é o que ele acha. E afinal, quem nunca teve um método secreto de acordar de um pesadelo, tem quem se belisca em sonho, tem quem grita, eu costumava olhar para o céu do meu sonho, sim o céu oniríco que estava sobre minha cabeça era o suficiente para que eu acordasse. Hoje em dia não sonho mais como antigamente, não sei o que aconteceu. E não me venha com a história de que “você sonha, só que não lembra”, não, filho. Raramente eu sonho, algo em torno de umas duas vezes ao ano. Caso contrário lembraria de ter esquecido do sonho. Dormir é apenas fechar os olhos pra mim, mas enfim… Voltando ao Julio.

Só que, até então, isso não é um conto de terror até descobrirmos os reais motivos do Julio ter ido parar em um sonho, cujo quais, não revelarei, mas apenas questione-se e se o sonho não for dele? Quanto medo você sentiria se descobrisse que está preso em um sonho? E que se pá – metendo as gíria memo – esse sonho nem é seu, truta. Tipo, que viagem psicodélica, que que esse mano tomou? E mais uma vez o conto muda  de ritmo e agora seguimos Julio em sua catástrofe final em seu diálogo com a “voz” que o toca com a crual realidade de que ele não faz parte de um sonho.

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Ah meus amigos, chega, se não vou longe. O universo onírico é um prato cheio pra mim desde a época de Sandman. Pra não estragar mais dando Spoilers, vou-me indo, mas deixo a canção que da tema ao conto aqui. Com vocês, Charlotte Sometimes, The Cure.

Fábio Fernandes é o nome por trás do Blog The Tool Boxer, pelo menos foi o endereço mais recenete que encontrei. Também é autor de o “O Primmeiro Contacto” e possui mais mil e uma utilidades, como tradutor, professor e editor, além de já ter até pego algumas dicas com o mestre Neil Gaiman.

Sinopse

Conto de ficção científica de Fabio Fernandes, autor de O Primmeiro Contacto, originalmente publicado em “Interface com o Vampiro”. Um homem, uma noite, um bar. O que ele faz ali? Entre os vapores do gelo seco e as névoas da amnésia, Júlio busca uma resposta para tantas dúvidas que o assombram. Mas ele pode não gostar do que vai encontrar entre os escombros da sua memória – ou será a memória de outra pessoa?

Até mais.

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