Crítica, com Spoilers | Sense8, uma série original da Netflix

Compartilhe

Olá amigos, se vocês estão lendo isto, presumo que já tenham assistido a série. Gostaria de debater alguns pontos aqui e trocar informações com vocês, então vai ter spoiler no texto inteiro, se você não viu a série ainda, está terminando ou pretende ver um dia, então corra desse texto como se deve correr para as colinas e leia a Crítica, sem Spoilers dessa série sensacional, caso contrário, clique em leia mais e venha ser feliz.

sense_s1_021_h_2040.0Vamos lá, gostaria de começar com O QUE FOI AQUELE STRAPON no meio do Piloto, HAHAHA, lésbicas, transsexual e lésbica, pra ser mais exato. A série da família tradicional. Achei fenomenal, a série debater temas como Homossexualidade e o amor entre essas pessoas de forma limpa, natural e real, além das cenas de sexo, quase explícitas, dos casais homoafetivos, a relação entre eles é sincera. Isso dá um toque de beleza no seriado. Porque, conforme vamos nos despindo do que é predeterminado pelo senso comum, aprendemos a respeitar a relação dos casais e passamos a enxergar o quão pura é a forma como eles se amam.
Ainda neste assunto, o segundo passo que a série deu em tijolos dourados, foi abordar o psicológico desses personagens, temos um profundo debate sobre a busca por um identidade, um significado, Michael, ou Nomi, é o ápice, a cereja desse bolo, transexual hackativista que acima de tudo, escolheu ser o que é, quando reconheceu que não se permitir ser, era a pior violência que poderia sofrer. Essa crise de identidade leva o debate a outros patamares, quando somada ao papel da sua mãe em suas escolhas. Nomi é a vertente da série, é a luta em si.

Do outro lado, temos Lito, ator mexicano gay, que esconde sua opção sexual do resto do mundo, devido ao medo de que isso atrapalhe sua carreira. De certo modo, dá pra compreender, e achei que Lito ia continuar mesquinho durante a série inteira, tenho a impressão de que foi o personagem que teve a menor participação, quando relacionado ao grupo/dupla, e um dos que teve maior participação individual, mas que também estava nas grandes reviravoltas da trama, e também, protagonizou uma das maiores orgias que já vi em seriados, um sexo grupal, interconectado que vai além da compreensão, afetando uma boa parte do grupo e do exterior dele, já que alcançou a namorada da Nomi, Amanita e o namorado do Lito, Hernando.

Deixando estes conceitos para trás, vamos abordar outro lado da trama, as cenas de ação, que em sua grande parte ocorrem na Alemanha e no Quênia. Achei magnifico a referência a Jean-Claude Van Damme como um paralelo à esperança e aos lemas de vida de Capheus, no Quênia. Além disso, o contra peso da série, já que é o lugar mais pobre da série, e também o mais rico, porque seus valores o agigantam, é lindo. Van Damn sempre volta, bitches. Indo além, o que foi aquela cena de ação na Alemanha, e o ódio do Wolfgang. Melhor sequência, com melhor final. Vou citar um trecho de Tropa de Elite pra vocês, “Na cara não, senhor, pra não estragar o velório”.

CC045q1UUAAbmBFSussurro, nosso vilão, é misterioso e maligno, não temos o seu objetivo ou suas ligações claras ainda, além de que ele quer exterminar o grupo, porém ele consegue aterrorizar os sensates – como as pessoas do grupo, são identificadas – completamente. Sem falar nesse nome, Sussurro, já que ele fica na mente da pessoa dizendo coisas. serve como uma luva e identifica-se com o esteriótipo de arqui-inimigo, essa parte da trama ficou para a segunda temporada, porque o personagem quase não apareceu na série, mas cumpriu com o seu papel de ser apenas uma voz na mente dos sensates.

A série inteira é um choque cultural entre as nações, cada personagem representa uma bagagem enorme de tradições e valores, que são confrontados durante o decorrer dos 12 episódios, temos os alemães nus em piscinas públicas e os indianos que não se sentem tão a vontade com seus próprios corpos, ou até, a controvérsia que representa a caminhada de Capheus e de Sun, onde Seul se funde com o Quênia. Esses pequenos momentos, com sets de fotografia magnifica, são quase uma peça de arte e a alma de Sense8. Pra mim, as cenas na Islândia – pensa em um lugar vazio…-, também são um retrato do que a Riley está sentindo. Isso é animalesco e sensacional, simples e profundo. Toda aquela paisagem, aquele silêncio e o sentimento de vazio, representados na pequena e frágil Riley, que sofreu a perda de um filho e do seu marido.

Me arrisco a dizer isto, mas Sense8 é um tipo de série rara, aquele tipo que consegue mudar quem você é e o que você pensa sobre as coisas. Ela mostra que às vezes, tudo que fazemos está errado, que existe outra forma de ser feito ou visto, que devemos olhar para dentro de nós para encontrarmos nossos valores. A série vai fazer você ficar pesando nas atitudes dos personagens mesmo depois de ver a Season Finale.

Concordam ou discordam? Deixem nos comentários seus anseios!

Leia mais Críticas