Crítica | House Of Cards, quanto custa um favor?

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Esse mês eu decidi aceitar o convite de um mês grátis que a Netflix vivia fazendo e assinei o meu contrato com o diabo. Eu que não gosto nada de séries e filmes entrei em uma espécie de locadora virtual com conteúdo 24 horas por dia. resultado, praticamente engoli a primeira temporada de House of Cards e agora vou falar dela para vocês, queridos leitores.
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Escolhi assistir porque acompanhando as premiações, House of Cards levou Melhor roteiro em Nova Série no WGA Awards e Melhor Figurino em série contemporânea no CDG Awards e foi indicada em diversas outras e até o Barack Obama curte o negócio, então pensei “por que não?” Às vezes fico com receio de iniciar uma série nova, mas como esse é um mês parado, resolvi pegar essa sobre um tema que raramente é abordado nas séries que assisto: política. Talvez, tenha um pouco em Homeland.

Como já disse a série é sobre política, necessariamente sobre a influência que o personagem Francis Underwood (Kevin Spacey) tem no congresso e o sobre o que ele está disposto a fazer para conseguir o que quer: mais poder. De suporte o elenco possui a Robin Wright como Claire Underwood, esposa do Francis que dirige uma ONG; Kate Mara como a ambiciosa jornalista Zoe Barnes que faz o necessário para conseguir um furo e que segundo a minha namorada é a versão bonita da Rooney Mara; e por fim Michael Kelly como Doug Stamper Assessor do Francis que também está disposto a tudo para ajudá-lo. Podia falar que o elenco não faz diferença, mas em House of Cards faz, principalmente o Kevin Spacey, depois de assistir fiquei surpreso por ele não ter levado nenhum prêmio.

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A série tem um ritmo lento, uma coisa acontece de cada vez e o pano de fundo contribui para isso. A influência que Francis usa para conseguir o que quer, transforma tudo em um plano maquiavélico. Se o ritmo fosse mais rápido ia ficar difícil de compreender, ainda mais pra quem tem pouco contato com o tema. A primeira temporada mostrou um lado obscuro de todos os personagens e esse é outro ponto forte da série, você não sabe se realmente gosta dos personagens, eles são muito antagonistas. O próprio Francis, tem momentos que você o admira e horas que o odeia e sente repulsa das coisas que ele faz, o mesmo para os demais. E no final você vai perceber que quem é bonzinho não tem vez. Logo, no congresso você precisa ser um leão, ou vai ser alimento deles.

A série não deixa de lado a estrutura em que se organiza a política dos Estados Unidos, deixando bem clara a posição dos lobistas (o que eu não sabia o que era até ver a série), como ocorre a eleição, uma votação de lei no congresso etc. Se você se interessa por isso essa é a série. Outra coisa espetacular é o modo como ela é filmada, quando em uma cena do nada Francis olha pra câmera e quebra a quarta parede, monologando direto com o telespectador, além de toda a naturalidade do Spacey de fazer isso diversas vezes em todos os episódios. Muitos consideram o Francis um anti-herói como o Dexter e Walter White, geralmente eu gosto de anti-heróis, mas acredito que o Francis seja mais Rockfeller do que parece. Ele é mesmo um bom vilão, que se quiser o posto de anti-herói vai ter que melhorar a imagem.

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A pergunta retórica do título ainda não foi respondida… Mas o favor custa muito caro e vocês vão perceber isso no decorrer da primeira temporada com o personagem Peter Russo (Corey Stoll), que é tirado da cadeia pela influencia do Francis e o que isso vai custar pra ele, e mais além no começo da segunda temporada com a queridinha Zoe Barnes, que vai pagar pela sua ingenuidade. Essa cultura de favores não é tão forte aqui quanto nos EUA, a história do “você me deve uma”. É coisa de doido pra aqueles lados. A única coisa que vou acrescentar como ponto fraco, mas que não é tão fraco assim é o fato de depois de conhecer Frank a série fica previsível, pelo menos pra mim, que tenho o terrível hábito de deduzir o que vai acontecer.

Em suma, House of Cards não deixa a desejar e é uma ótima opção para quem gosta de uma boa trama recheada com escândalos, planos maquiavélicos, tráfico de influência e um pouco de humanidade, mas só um pouco. House of Cards é uma série onde não adianta torcer pelo mocinho, e Francis pouco se importa com ele, tudo o que ele busca é poder pelo poder. só posso especular que talvez ele queira a cadeira do presidente, mas que vai ficar pra uma terceira temporada. No plot do segundo ele vai focar em concretizar o que conquistou até o final da primeira e evitar um escândalo na imprensa, lembrem-se ele é capaz de tudo.

Essa foi a crítica da primeira temporada de House of Cards, volto antes do final do mês pra falar da segunda temporada, que vou começar a assistir agora.

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