Resenha | A Ruptura, Robson Gamaliel

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Autor: Robson Gamaliel
ISBN: 856688700X
Edição: 1ª Edição – 2013
Número de Páginas: 116
Acabamento: BROCHURA
Formato: 14,00 x 21,00 cm.
Editora: Reformatório
Avaliação:
Me dói o peito avaliar com menos de quatro estrelas, mas que a justiça seja feita. O livro é bom, mas não surpreendeu e o caleidoscópio que se abre nele não cessa até o fim. E mais, às vezes a poesia é tão íntima que só o autor sabe a forma certa de lê-la, como sei disso? Também escrevo.
O começo do livro é uma confusão e a falta de pontuação gera um caos na leitura, não é legal ter que encontrar o ritmo da poesia, mas isso é só o começo, logo ele se recupera e como não sou bom em resenhar poesia e também não sou fã de lê-la, porque me gera um bloqueio criativo intransponível, vou usar das próprias poesias para construir a resenha.
A primeira citação que me identifiquei foi essa:

Quem me dera ser eu mesmo em tempo integral
ser o rei do meu populacho e fazer de meu
condado a capital de um mundo vil.
Quem me dera ser possuidor da razão inabalável, do pleno
amor, do contraste apaixonante de vidas que não se cruzam
olhares que não se intimidam, sentidos que não se revelam
e passos que mudos caminham.

Gostei porque exala uma solidão iminente, o desejo de ser  o que se é. E nisso o livro é muito bom, poesia contemporânea e triste. Dá a impressão de que o escrever é torturante e cada vez mais o isolamento se faz presente.

Sofro, mas sofro calado
não conto ao mundo meu pedaço desarmônico de amor
sentimento bem guardado, já perdido, escondido em algum
outro que criei
vivendo como todos, a parte de tudo
distante de si
distante do mundo.
Sofro… mas sofro sozinho.

O isolamento do escritor de faz ter esperança na melhora, mas ela não vem…

Frágil… mais frágil que o corpo
é a alma que vive a curar um problema
a vida acaba assim… como o fim de um poema.

Incansável como o seu ritmo, as palavras do livro vão se consumindo e o fim se aproximando a cada página que é virada. O tema é consumido pela descrença e o amor se perde, aliás, tenho a leve impressão de que todo o livro foi construído ao redor de um amor que se acabou, que deixou coisas pela metade e assuntos mal resolvidos, por isso… o fim:

O frio na barriga antes do que se imagina
o tratado universal das colombinas
o limite habitual do hiperativo
o que é tido como amor um dia acaba.

E finda-se o assunto. Esse mesmo sentimento que você está sentindo agora é o que o livro gera.

Também devo falar sobre a Editora Reformatório, que não conhecia e desempenhou um trabalho excelente na qualidade da impressão – exceto por alguns borrados, mas só isso -, do papel e da capa que é ilustrada por Manu Maltez, que usa rabiscos para compor a seus desenhos.

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